Como Regularizar Débitos Antes da Reforma

Guia prático para verificar e regularizar pendências fiscais antes que a reforma tributária entre em vigor.

FAQ
Basico
Verificado em 2026-02-24
4 min de leitura

Como Regularizar Débitos Antes da Reforma

Por que regularizar agora?

Com a reforma tributária entrando em vigor a partir de 2026, os programas de regularização com condições facilitadas devem diminuir. A partir de 2027, quando a cobrança automática de impostos começar, será muito mais difícil acumular dívida — e as condições para parcelar dívidas antigas tendem a piorar.

Em números:

  • 1,8 milhão de MEIs, MEs e EPPs têm débitos pendentes
  • R$ 26,7 bilhões em dívida tributária de pequenas empresas
  • 340 mil MEIs receberam notificação de exclusão do Simples Nacional

Passo 1: Consulte sua situação no e-CAC

O e-CAC (Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte) é o portal da Receita Federal onde você consulta todas as suas pendências.

Como acessar:

  1. Acesse cav.receita.fazenda.gov.br
  2. Faça login com sua conta gov.br (nível prata ou ouro) ou certificado digital
  3. Vá em "Certidões e Situação Fiscal"
  4. Consulte o "Extrato do Processamento DCTF" e "Situação Fiscal"

O que procurar:

  • Débitos declarados e não pagos
  • Notificações de lançamento
  • Pendências de entrega de declarações (DASN-SIMEI, PGDAS-D)
  • Restrições no CNPJ

Passo 2: Entenda suas opções de parcelamento

Para MEIs

O MEI pode parcelar débitos tributários em até 60 parcelas mensais, com parcela mínima de R$ 50. Em programas especiais, o parcelamento pode chegar a 120 meses com descontos de até 50%.

Para empresas do Simples Nacional (ME e EPP)

  • Parcelamento ordinário: até 60 meses, sem desconto
  • Programas especiais PGFN: condições facilitadas com descontos que variam conforme o programa vigente
  • Litígio Zero: para débitos em discussão, com descontos significativos

Para Lucro Presumido e Lucro Real

  • Parcelamento simplificado: até 60 meses para débitos até R$ 5 milhões
  • Negociação PGFN: para débitos maiores, a PGFN oferece transação tributária com condições caso a caso

Passo 3: Solicite o parcelamento

Pelo portal do Simples Nacional:

  1. Acesse www8.receita.fazenda.gov.br/SimplesNacional
  2. Vá em "Simei - Serviços" (MEI) ou "Simples - Serviços" (ME/EPP)
  3. Selecione "Parcelamento"
  4. O sistema mostra os débitos elegíveis
  5. Confirme o parcelamento

Pelo portal REGULARIZE (PGFN):

  1. Acesse www.regularize.pgfn.gov.br
  2. Faça login com certificado digital ou gov.br
  3. Consulte seus débitos inscritos em dívida ativa
  4. Escolha a modalidade de negociação

O que acontece se não regularizar?

Risco imediato: exclusão do Simples Nacional

  • Empresas com débitos pendentes podem ser excluídas do Simples Nacional
  • A exclusão significa pagar impostos pelo regime normal (geralmente mais caro)
  • Após a notificação, há prazo de 30 dias para regularizar

Risco médio prazo: cobrança mais rigorosa

  • A partir de 2027, a cobrança automática torna impossível acumular novos débitos
  • Débitos antigos continuam existindo e podem resultar em restrições no CNPJ
  • A Receita Federal terá muito mais dados sobre o faturamento real de cada empresa

Risco longo prazo: perda de competitividade

  • Empresas com restrições fiscais não conseguem emitir certidões negativas
  • Sem certidão negativa: sem acesso a licitações, financiamentos e alguns contratos

Quanto custa regularizar?

Cada caso é diferente, mas como referência:

SituaçãoCusto típico
MEI com 1-2 anos de débitoR$ 3.000 - R$ 8.000 (pode parcelar em 60x de R$ 50+)
ME com débitos no SimplesVaria muito — consulte no e-CAC
Programa com desconto (PGFN)Até 50% de desconto sobre juros e multas

Checklist de regularização

  • Acessar o e-CAC e verificar todas as pendências
  • Listar todos os débitos por tipo (DASN, PGDAS, DCTF, etc.)
  • Verificar se há programa de parcelamento especial vigente
  • Calcular o custo total de regularização
  • Comparar: custo de regularizar agora vs. risco de não regularizar
  • Solicitar o parcelamento pelo portal adequado
  • Configurar pagamento automático das parcelas (para não esquecer)
  • Agendar verificação trimestral da situação fiscal

Dica final

Regularizar antes da reforma é quase sempre mais barato do que esperar. Os programas atuais oferecem descontos que provavelmente não existirão quando o novo sistema estiver rodando. E com a cobrança automática a partir de 2027, acumular novos débitos será praticamente impossível — então é melhor resolver o passado agora, enquanto as condições são favoráveis.

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Este conteudo tem carater educacional e informativo, baseado na EC 132/2023 e LC 214/2025. Nao substitui a orientacao de um contador ou advogado tributarista qualificado.